Sobre o Fotógrafo
José Raposo, aos 32 anos, com 20 de carreira, Fotógrafo de Castro Daire vai fazer o “making off” do concerto dos U2.
José Raposo
A paixão é fotografar casamentos, mas o retrato e a moda têm vindo a assumir maior protagonismo na actividade de José Raposo. Rolling Stones, Joaquín Cortés ou Da Weasel já foram captados pela objectiva deste fotógrafo residente no Sátão.
Noivas e detalhes de um dia de aliança. Uma noiva de rosto cortado e de sapato vermelho na mão. Uma jarra de flores em primeiro plano, uma noiva ao fundo, a lançar um olhar que não se torna nítido. Uma noiva que se adivinha atrás de uma porta envidraçada. Nas paredes do estúdio de José Raposo, no Sátão, pendem fotografias de casamento e de moda. Em 2003, este fotógrafo foi o vencedor do primeiro prémio do Wedding Awards – para o melhor álbum digital europeu, um galardão atribuído por um portal de fotografia.
Neste momento, José Raposo faz mais moda e retrato. E trabalha com uma agência de promoção de espectáculos. Da Weasel; Pedro Abrunhosa; Zé Pedro, dos Xutos & Pontapés; e Joaquin Cortés foram recentemente captados pela objectiva de José Raposo. A partir das películas, o fotógrafo cria um portfólio para cada artista ou grupo. E, em cada portfólio conta uma história, com design próprio. As fotografias de José Raposo já foram publicadas nas revistas SposaBella, Foto Vendas, Foto Digital e Super Foto Prática.
O trabalho que mais marcou José Raposo foi “acompanhar a vinda dos Rolling Stones a Portugal”. “Fui o único fotógrafo dos Rolling Stones”- exprime. Em Agosto, aguarda-o a concretização de outro sonho: fazer o “making off” do concerto dos U2 em Lisboa.
A predilecção pelos casamentos
“Comecei com casamentos e é aquilo que mais gosto de fazer”- aponta. E justifica: “Conheço muita gente e participo num dia especial”.A objectiva de José Raposo já captou cerca de 2500 casamentos, ao longo dos 20 anos ligados à fotografia. Utiliza máquina digital, mas o método tradicional prevalece: “Os meus colegas admiram-se por, nos casamentos, utilizar maioritariamente rolos”.
Quase todos os sábados, o fotógrafo de 32 anos dedica-se a acompanhar casamentos. “No Sátão fotografo nos meses de Julho e Agosto; durante o ano, em Viseu e Porto; e este ano até é mais em Lisboa” – é deste modo que José Raposo divide geograficamente o seu trabalho.
Podia estar em Paris, a convite de uma agência de fotografia. Mas, apesar de reconhecer que perde muitos trabalhos ao nível de editoriais de moda, não quis partir…nem para Paris, nem para Lisboa.
O primeiro trabalho de moda, um catálogo para uma empresa de calçado portuguesa, foi feito aos 18 anos. E aos olhos de hoje, José Raposo não lhe dá muita importância: “O primeiro trabalho serve apenas para comparar: não tem nada a ver com o trabalho de hoje”.
Aos 12 anos, a necessidade fê-lo entrar no mundo do trabalho. Num estúdio de fotografia, em Castro Daire, surge um precoce rumo: ser fotógrafo. A formação técnica, como aponta José Raposo, foi feita de experiência. A sensibilidade criou o estilo. A mulher do patrão foi a primeira pessoa a ser fotografada por José Raposo.
Há 15 anos, o patrão decidiu abrir, uma filial no Sátão. José Raposo toma conta do estabelecimento e, ao fim de três anos, adquiriu o espaço onde se encontra até hoje.
Em preparação, José Raposo tem dois projectos. Um consiste em editar um livro de fotografias de casamento, “com fotografias o mais estranho e radical possível”. O outro em compilar e publicar um livro de “retratos de ícones portugueses”, como especifica o fotógrafo.
Por concretizar, José Raposo tem um sonho: “Gostava de pertencer ao grupo editorial norte-americano da Vogue e da Vanity Fair”. “Não é impossível”, assegura.
Texto Liliana Garcia
Fonte: Jornal do Centro